Salvador Rato concedeu-nos 10 minutos do seu tempo para uma pequena descrição do seu trajecto enquanto piloto, bem como opinião acerca de temas importantes.
Salvador Rato:
Participo em corridas da Linksport desde 2016. Sempre me identifiquei tanto com a Organização e espírito anfitrião do Tiago, como com o grupo de pessoas que por aqui costuma correr. Ambiente 5 estrelas e pilotos muito aguerridos, que nos obrigam a dar sempre o máximo em pista.
Fiz terceiro lugar em 2016 e segundo lugar em 2017 e 2018 (liga Gold). Por conflito de calendário e objetivos estabelecidos na categoria de Endurance, retirei-me do circuito em 2019, mas estou agora de regresso em 2020 para o circuito do SWS.
Comecei o karting em 2015, quando fui forçado (por motivos financeiros) a desistir da competição nos saltos de obstáculos (equitação). Por gostar muito das provas de resistência, fundei em 2017, em conjunto com o Claudio Mota, uma equipa de endurance, a PRT, com o objetivo de pontuar SWS e participar nas finais mundiais de 2018. A equipa, com os pilotos Manuel Sande e Castro, Luis Oliveira, Filipe Trinca e eu, sob a gestão do Helder Gomes, obteve um excelente resultado de P14 no total das 40 equipas participantes. O acesso às finais foi acabou por ser renovado em 2019, mas com um resultado menos positivo (P20), fruto de uma má decisão da equipa na gestão de um turno à chuva.
Destaco assim a minha primeira ida às finais mundiais do SWS como a viagem mais empolgante que vivi no Karting. Prova realizada no circuito de Lignano (Itália) com uma grelha formada pelas equipas mais fortes do circuito SWS. Experiência inesquecível, onde percebi pelas próprias mãos que é preciso trabalhar muito e ouvir muito dos mais experientes (como o Duarte Lopes por exemplo) para se conseguir andar rápido e na frente.
Recordo também vivamente a minha ida a Le Mans em 2017 (primeira prova de 24h fora do país, de uma exigência técnica e física bastante elevada) e a minha primeira corrida no Dubai em 2020, com a Alves Bandeira (Stop&Go Racing Team). Porta aberta pelo Duarte Lopes, para uma equipa portuguesa com um espírito incrível, que está agora a dar os primeiros passos nas resistências e que num futuro próximo pretende fazer podium na Nations Cup.
Como episódio particular, destaco a aventura que vivi na minha primeira prova de 24h, em Palmela, em 2015. Não tinha ainda experiência nenhuma mas decidi na mesma arriscar a inscrição e entrar numa equipa formada pelo próprio organizador. Nesta corrida tive o privilégio de conhecer o Hélder Gomes e de conseguir trazer a bordo o Henrique Chaves, para aquela que foi, sem sombra para dúvidas, uma presença inesquecível naquele fim de semana. A dada altura começou a chover, eu nunca tinha conduzido em piso molhado, e estava a levar 40 segundos por volta dos mais rápidos. O Henrique, no maior dos companheirismos, puxou me para piso de cima da box dos tempos e, juntamente com o iPad, começou a explicar por onde devia passar, e em que zonas travar ou acelerar. No turno seguinte melhorei 30 segundos, e apercebi me então que, com o devido tempo, iria gostar bastante da chuva e saber tirar algum proveito dela.
Relativamente aos kartodromos não tenho nada a apontar, todas as pessoas nos recebem muito bem e vivem connosco cada prova. Sinto proximidade e que podemos dialogar em torno das dificuldades, no sentido de poder evoluir nas trajetórias e técnica em pista. Único aspeto que pode ser melhorado é a escolha mais assertiva de Karts para uma determinada prova, no sentido de garantir o máximo de equilíbrio possível entre os diferentes karts, e permitir assim mais competitividade entre os pilotos e não deixar alguns resultados condicionados à cabeça pelo sorteio.
A Linksport tem tudo o que um piloto de Karting e amante de corridas procura. Bom ambiente, boas grelhas, bom regulamento e assertividade nas decisões. Poderia por vezes intervir em alguns momentos de corrida (em que tenha sido evidente a penalização a aplicar a um determinado piloto), mas é também compreensível que essas decisões fiquem concentradas na direção desportiva de prova, a fim de evitar más percepções por parte de quem corre e se encontra a disputar o campeonato.
Dentro do Karting, gostava ainda de correr o SWS a nível individual e de participar no KWC (Kart World Championship). O KWC iria realizar-se este ano em Portugal (Kartodromo de Viana do Castelo), já tinha a minha participação assegurada, mas devido ao surto do novo corona virus, a prova ficou adiada para 2021. E, sempre que possível, gostaria de continuar a correr com a Linksport e o NacionalKart, pois acredito serem os circuitos mais competitivos e melhor organizados, nos quais é possível saborear amizade, competitividade e aprendizagem com os diferentes pilotos que por aqui passam.